Dor crônica. Por que aparece?

Psicologia e Dor Crônica
8 de março de 2016

Dor crônica. Por que aparece?

A Associação Internacional dos Estudos da Dor (IASP) define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial dos tecidos. O anestesiologista Dr. André Félix Gomes Cordeiro diz que do ponto de vista temporal, existem dois tipos de dor: a aguda e a crônica. A dor aguda tem duração de poucos segundos a algumas semanas, esta é imprescindível à vida, pois tem como objetivo alertar o organismo que algo vai errado e ameaça sua integridade.

Já a dor crônica pode durar meses ou décadas, costuma ser definida como a dor que persiste ou recorre por um período maior que três meses. Algumas literaturas conceituam que este período deva ser maior que seis meses, de um modo geral é uma dor patológica, sem finalidade benéfica e que possui consequências desastrosas, dentre elas: ansiedade, depressão, isolamento social, distúrbio do sono, dentre outas. A Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED) estima que cerca de 30% da população da população brasileira sofra de dor crônica.

Ele lembra que quando a origem, a dor pode ser dividida em dor nociceptiva (quando é causada por um dano nos tecidos e órgãos), dor neuropática (quando causada por um dano neurológico), dor mista (quando apresenta os dois componentes anteriores) e dor psicogênica (quando não há lesão orgânica a dor aparece por questões psicológicas, geralmente é um diagnóstico por exclusão). André Félix lembra ainda que apesar de muitas vezes as características das dores se assemelharem, é possível diferenciá-las com a história clínica e o exame físico detalhado do paciente.

 

Causas

O médico explica que, quando os estímulos de dor são gerados repetidamente, os circuitos neurológicos sofrem alterações eletroquímicas que os tornam hipersensíveis aos estímulos e mais resistentes aos mecanismos inibitórios da dor, ou seja, uma dor aguda mal tratada leva ao desenvolvimento da dor crônica e essa passa ser a própria doença do indivíduo.

Ignorar uma "dorzinha" pode ser perigoso. Sentir dor é inevitável, o que não se pode deixar de fazer é trata-la, avisa. Muitas vezes se escuta no consultório de alguns pacientes o seguinte: "me falaram que sentir dor é normal com o passar dos anos e que devemos suporta-las", o que é um grande engano e pode levar à um desfecho indesejável.

A dor crônica pode surgir em qualquer idade, porém a dor em idosos é bastante comum. Estima-se que ela apareça em 20% a 50% das pessoas que vivem na comunidade. Esse número aumenta para 45% a 80% nos institucionalizados, podendo ser ainda maior naqueles hospitalizados.

A maioria das patologias que geram dor crônica são mais comuns nas mulheres. Podemos citar como exemplo a fibromialgia que nelas são cerca de 7 vezes mais comuns.

 

Tratamento

O tratamento multidisciplinar e individualizado é sem dúvida o caminho mais curto e eficaz para o sucesso do paciente que sofre de dor crônica, pois combina o uso de medicamentos, procedimentos intervencionistas, atividades físicas, fisioterapia, psicologia, dentre outras terapias em prol do paciente.

O Dr. André Félix, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor (SOBRAMID), explica que a Medicina Intervencionista da Dor, de certa forma é uma área nova, em rápido crescimento em todo o mundo, inclusive no Brasil. O tratamento intervencionista é considerado o quarto degrau da escada para o controle da dor, proposto pela Organização Mundial de Saúde, ou seja, a terapia intervencionista em dor faz parte do arsenal terapêutico e deve ser oferecido aos pacientes que não respondem de forma eficaz aos tratamentos clínicos em diversas patologias, dentre elas: lombalgias (dor nas costas), cervicalgias (dor no pescoço), dor oncológicas (câncer), dores nevrálgicas (neuralgia do trigêmeo, neuralgia pós herpética), dores articulares (osteoartrite joelho, quadril, ombro...), dentre outras.

De acordo com o anestesiologista, o tratamento baseia-se no conceito de que a dor tem uma base estrutural anatômica e que o bloqueio neural altera ou interrompe o estímulo de dor proveniente de tal estrutura. Pode se indicar os procedimentos intervencionistas com duas finalidades: terapêutica ou diagnóstica. Nesta última, tem como objetivo localizar a via transmissora da dor e assim promover um tratamento mais eficaz e duradouro.

 

Prevenção

No caso da dor aguda, por exemplo a dor decorrente de um trauma, na maioria das vezes, se chega a cura completa, porém em se tratando de dor crônica, talvez seja mais sensato usar o termo controle ao invés de cura, inclusive, este controle pode chegar a 100% da dor em alguns casos.

Sabe-se que um bom trabalho de saúde preventiva, incluindo boa alimentação e atividades esportivas, ajudam a contornar uma série de doenças crônicas, dentre elas a dor crônica, porém isso deve ser preferencialmente gerenciado por um médico com especialização em dor.

 

Dr. André Gomes Félix Cordeiro

A Associação Internacional dos Estudos da Dor (IASP) define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial dos tecidos. O anestesiologista Dr. André Félix Gomes Cordeiro diz que do ponto de vista temporal, existem dois tipos de dor: a aguda e a crônica. A dor aguda tem duração de poucos segundos a algumas semanas, esta é imprescindível à vida, pois tem como objetivo alertar o organismo que algo vai errado e ameaça sua integridade.

1 Comentário

  1. Maria da Penha Nascimento disse:

    Tenho uma dor que apareceu no nervo na direção dos dedos pequeno e médio,não houve nenhum atrito no lugar.maria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe com um amigo(a)








Enviar