Dor crônica e sensibilização central

Dor crônica e ansiedade
8 de agosto de 2016
Dr. André Felix em matéria para Jornal Gazeta
8 de setembro de 2016

Dor crônica e sensibilização central

Atualmente a dor crônica é definida como a dor que persiste ou recorre por mais de 3 meses. É uma condição que afeta cerca de 60 milhões de brasileiros, sendo que 50% dessas pessoas apresentam sério comprometimento em sua rotina. Cerca de um terço da população apresentará algum tipo de dor crônica durante a vida.

Vale ressaltar que a dor é uma sensação que surge quando há algum tipo de ameaça ao tecido, logo, senti-la é fundamental para manter a integridade do organismo. No entanto, quando esse alarme se perpetua por um tempo mais prolongado que o normal da recuperação tecidual passa a ativar um sistema de Sensibilização Central.

A sensibilização central é um fenômeno muito frequente em pessoas que sofrem com dores crônicas. Quando sentimos dor por um longo período, mudanças ocorrem no Sistema Nervoso Central (cérebro e medula). Infelizmente, quando os nervos da sua medula se sensibilizam e quando há alterações cerebrais significativas essas mudanças não são tão facilmente reversíveis. Quando a sensibilização ocorre, a pessoa sente dor em situações que não deveriam ser dolorosas. O Sistema Nervoso Central passa a interpretar tudo como dor.

Se fizermos uma analogia ao alarme usado em nossas casas ou trabalho entendemos como esse sistema dispara quando tudo “entra” em seu campo de identificação. Logo, quando o Sistema Nervoso Central já convive com a dor por um tempo prolongado passa ser hipersensível a qualquer estímulo. As consequências da sensibilização central envolvem situações que acabam alimentando o próprio sistema, tornando-o cíclico. Uma das consequências é a cinesiofobia, quando o indivíduo deixa de realizar alguma atividade física ou determinado movimento com medo de sentir mais dor. A falta de atividade e até limitações nos movimentos do dia a dia geralmente acarretam alterações emocionais, podendo levar a condições como a ansiedade e depressão, o que contribuirá para o sistema manter-se em alerta. Lidar melhor com o medo e a ansiedade de sentir dor pode ser um passo bastante importante no sentido de dessensibilizar o seu Sistema Nervoso.

A dor crônica é uma doença muito difícil de ser curada. Trata-se de um problema complexo, que exige um trabalho interdisciplinar, envolvendo profissionais de diferentes especialidades, tais como médico especialista da dor, fisioterapeuta, psicólogo e em alguns casos psiquiatra e até nutricionista. São muitas as opções de tratamento e é essencial que os profissionais envolvidos trabalhem de forma integrada, em um constante diálogo, para promover a saúde do indivíduo de forma global visando tratar a origem do problema e não somente os seus sintomas.


Dra. Kênnia Kellen do Carmo Oliveira

Fisioterapeuta

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